O ciclo
Ao entrarmos na segunda metade da Década do Oceano, em um planeta cada vez mais impactado pela mudança do clima, é hora de refletirmos sobre a caminhada nesta Década do Oceano. Para isso se realiza o novo ciclo de oficinas “O Brasil na Década do Oceano: Vozes para o futuro”. É a partir dele que será atualizado o Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).
O plano foi resultado de um dos mais participativos processos de mobilização da Década do Oceano, realizado em 2020. O ciclo chamou-se “O Brasil na Década do Oceano”, reuniu mais de 2.000 contribuições de todas as regiões do país e resultou em cinco relatórios regionais que embasaram o Plano Nacional. Mais do que um diagnóstico, esse movimento criou redes, conectou atores e ampliou a participação social. Hoje, esse legado é o ponto de partida para o novo ciclo.
Com as atividades do ciclo de 2026, será possível reconhecer o que já foi construído, ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade e identificar caminhos para os próximos anos. Mais do que revisitar diagnósticos, trata-se de conectar experiências, conhecimento científico e políticas públicas em uma visão compartilhada de futuro. O processo participativo busca integrar os aprendizados das oficinas realizadas em 2020 com os avanços das agendas nacionais e internacionais nos últimos anos.
QUATRO ETAPAS
Oficinas livres
Encontros locais organizados pela sociedade para ampliar escuta e diversidade de vozes
Sistematização e consulta pública
Síntese das contribuições e consulta nacional para validar e ampliar participação
Oficinas temáticas
Debates com especialistas e setores da sociedade para alinhar os desafios da Década e prioridades nacionais
Encontro nacional
Consolidação e apresentação de relatório para subsidiar a atualização do Plano Nacional da Década do Oceano
SETE TEMAS
TEMA 1 -
CONSERVAÇÃO, USO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS E COMBATE À POLUIÇÃO
Diversos avanços foram realizados nos últimos anos, incluindo iniciativas como a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP), Saúde Única, Estratégia Nacional para a Conservação e o Uso Sustentável dos Recifes de Coral (ProCoral), Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal) e o acordo sobre conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas além da jurisdição nacional (BBNJ). Esta oficina temática irá analisar esses avanços (nacionais, regionais e/ou locais) na conservação e estressores múltiplos, desafios e identificar prioridades para os próximos anos.
TEMA 2 -
OBSERVAÇÃO E MONITORAMENTO DO OCEANO E ADAPTAÇÃO E RESILIÊNCIA ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Nos últimos anos, diferentes projetos, ações e documentos foram desenvolvidos tanto para ampliar a observação e monitoramento do oceano quanto para o uso do conhecimento e demandas para adaptação e resiliência climática, com destaque para agendas relacionadas ao G20, COP30 e ao Sistema de Observação do Oceano. Esta oficina temática terá como objetivo revisar esses avanços (nacionais, regionais e/ou locais) e identificar próximos passos que discutam do monitoramento à resiliência climática de comunidades e ecossistemas.
TEMA 3 -
SEGURANÇA ALIMENTAR E PESCA SUSTENTÁVEL
Diversas comunidades tradicionais dependem de recursos pesqueiros e um oceano saudável é indispensável para a segurança alimentar. Esta oficina será uma oportunidade para discutir os avanços na pesca e aquicultura sustentáveis, reforçar e integrar ações nacionais, regionais e/ou locais relacionadas, fortalecer sua implementação no contexto nacional e identificar próximos passos.
TEMA 4 -
ECONOMIA AZUL SUSTENTÁVEL
Avanços significativos foram registrados nos últimos anos, incluindo o processo de construção da Estratégia Nacional de Economia Azul, a criação do BNDES Azul e outras iniciativas relevantes. Esta oficina irá consolidar esses avanços (nacionais, regionais e/ou locais) e apontar caminhos para os próximos anos.
TEMA 5 -
CULTURA OCEÂNICA E JUSTIÇA, EQUIDADE, DIVERSIDADE E INCLUSÃO
O Brasil tem se destacado internacionalmente na promoção da cultura oceânica, com avanços nos processos educacionais, na implementação do Currículo Azul e no engajamento da mídia, do setor privado, de tomadores de decisão e na promoção da justiça, equidade, diversidade e inclusão na ciência oceânica. Esta oficina irá consolidar os avanços (nacionais, regionais e/ou locais) e projetar os próximos passos. A Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão (JEDI) são valores transversais a todos os temas da Década do Oceano, mas encontram nesta oficina um espaço privilegiado de debate. A ciência oceânica e a gestão dos mares só serão verdadeiramente transformadoras se refletirem a pluralidade de povos, saberes e territórios que compõem o Brasil. Isso significa reconhecer e valorizar a participação de mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores artesanais e outros grupos historicamente sub-representados na produção do conhecimento e na tomada de decisões. Esta oficina é uma oportunidade para debater como avançamos nessa direção e quais caminhos ainda precisamos percorrer para garantir que ninguém fique de fora da Década do Oceano.
TEMA 6 -
FINANCIAMENTO, COOPERAÇÃO INTERNACIONAL E GOVERNANÇA
Um dos grandes desafios para a implementação das ambições adotadas pela Década são os mecanismos de financiamento atualmente disponíveis, em especial para a ciência oceânica. Além disso, os desafios de governança são inerentes ao sucesso das ações da Década no Brasil, em particular a governança que se apoia e promove o conhecimento científico, tradicional e indígena. Sob este tema, poderão ser debatidas novas abordagens para o financiamento público e privado, hoje fragmentado. Também serão bem vindas discussões sobre modernização dos mecanismos existentes de governança e apontamento de lacunas.
TEMA 7 -
INFRAESTRUTURA DE PESQUISA E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
Elemento basilar da pesquisa oceânica é o acesso e ampla utilização de infraestrutura que engloba desde navios de pesquisa e veículos autônomos, bem como novas tecnologias de uso sustentável dos recursos marinhos. Este tema aborda as lacunas e oportunidades em infraestrutura de pesquisa oceânica e novos avanços tecnológicos e serviços digitais, como plataformas digitais avançadas para o monitoramento, a previsão e a gestão integrada do oceano, com aplicação direta nas atividades econômicas costeiras e offshore.
A CIÊNCIA DE QUE PRECISAMOS PARA O OCEANO QUE QUEREMOS
– É a visão da Década do Oceano –
A Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), a Década do Oceano, foi proclamada pela Assembleia Geral das ONU em 2017. Seus objetivos são estimular a ciência oceânica e a geração de conhecimento para reverter a degradação do sistema oceânico e catalisar novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável desse vasto ecossistema marinho.